[ciência aberta]Nature Communications to become fully OA Fwd: [Open-education]

Daniel Neis danielneis em gmail.com
Quarta Setembro 24 00:50:03 UTC 2014


Olá, Pessoal

concordo que o potencial financeiro de algumas instituições ainda as coloca
em posição de destaque mesmo na internet que deveria ser um terreno mais
neutro. Mais dinheiro, mais exposição.

Críticas aparte, acho válido movimentos como esse ao menos para evitar
coisas como o caso recento do jovem que poderá acabar preso por
compartilhar algum material no scribd

http://creativecommons.org/weblog/entry/43746?utm_campaign=sm&utm_medium=facebook&utm_source=facebook2

São dois caminhos, a adoção de licenças mais livres e uma reforma no
sistema de propriedade intelectual.

Mas a discussão vai longe ;)

Grande abraço,
Daniel

2014-09-23 21:39 GMT-03:00 Miguel Said Vieira <msv em dev.full.nom.br>:

>  Oi Alê,
>
> eu concordo com algumas das ressalvas que você fez (e até por isso havia
> escrito que me parece que o problema é *concentrar* o acesso aberto nesse
> modelo). Pincei outros pontos em que discordo:
>
> Diante disso confio muito mais em organizações independentes, como o PLOS,
> que atua no mercado, encontrarem soluções para problemas e propagá-las, do
> que soluções "públicas".
>
> A PLOS não é uma entidade pública, mas também não é exatamente "de
> mercado": é uma organização sem finalidade de lucro, e talvez até por isso
> seja capaz de fixar políticas mais amplas (e com critérios mais objetivos)
> de descontos para pesquisadores de países pobres (a política da Nature é
> vaga e cobre só os países de "low-income"; a da PLOS é bem mais objetiva e
> cobre os de "low-" e "middle-income"). Nesse exemplo que você deu, a
> questão pra mim é menos se é "público" (estatal) ou não, e mais se segue
> uma lógica mercantil (em linhas gerais, a PLOS não segue).
>
> Todos os demais problemas, como os mencionados periódicos predatórios, só
> existem pelo absurdo que é o atual sistema de contagem de pontos,
> decorrente da incapacidade cognitiva da academia, e não vão melhorar com um
> ou outro modelo
>
> Nesse caso, acho que é relevante considerar que o modelo ouro "encaixa
> como luva" nos sistemas de contagens de pontos: a Fapesp tem uma linha de
> apoio pra pagar APCs, e o primeiro critério de avaliação é... o histórico
> de publicação. É meio que uma espiral produtivista: quem mais publica,
> mais  terá facilidade pra publicar; a gente sabe que essa espiral é enorme
> e anterior ao próprio acesso aberto, mas o modelo ouro serve bem como mais
> uma engrenagem.
>
> De qualquer jeito, concordo que não dá pra ser uma crítica absoluta, e sim
> uma problematização dessa via e das suas potenciais consequências futuras
> (por exemplo, a ampliação dessa espiral produtivista, e a multiplicação das
> editoras predatórias).
>
> Aceitando a instigada do Tom, estou escrevendo um post com a minha posição
> sobre esse debate. :-)
>
> Abraços!
> Miguel
>
>
>
> On 09/23/2014 09:01 PM, Alexandre Hannud Abdo wrote:
>
>  Ni!
>
> Eu acho que devemos tomar cuidado sobre como criticamos a modalidade de
> acesso aberto financiada por quem submete.
>
> Esse modelo resolve o principal problema que provocou o movimento de
> Acesso Aberto: dar acesso à produção científica.
>
> E a lógica desse modelo é muito clara, coerente e positiva, propondo que
> faz parte do custo de uma pesquisa financiar a sua disseminação.
>
>  E quando todos tem acesso à produção, ainda faz-se justiça ao que as
> nações desenvolvidas, os grandes publicadores de ciência, custeiam
> proporcionalmente sua disseminação.
>
>  Além disso, se editoras começaram a prestar novos serviços e os
> pesquisadores começaram a usá-los, estão suprindo uma demanda e o resultado
> instantâneo é positivo para todos os envolvidos.
>
>  Podemos até perguntar se a demanda é artificial, se há desperdício etc.
> Mas essas são coisas que, na discussão do acesso, apenas depois de décadas
> de conivência e paralisia da comunidade científica tornaram-se problemas.
>
>  Na discussão desses novos modelos, são novos mercados ainda em formação,
> diante de uma outra comunidade científica.
>
> Comunidade que, se capaz de coordenar-se, define as políticas de
> remuneração e financiamento, que traz em si a demanda, que pode determinar
> quem e como irá serví-la.
>
>  Se incapaz de coordenar-se, tão menos poderá vir a substituir o papel do
> mercado em atender essa demanda.
>
> E nisso chegamos a um ponto muito maior que Acesso Aberto.
>
> Não será um modelo ou outro de acesso que irá definir se a academia será
> capaz de desenvolver inteligência conjunta para recuperar o rumo da ciência
> junto à sociedade.
>
>  Qualquer modelos pode ser saudável se a academia recuperar sua
> racionalidade.
>
> E na atual conjuntura brasileira, acho muito engraçado se falar na
> academia tomando conta de mais, quando mal dá conta de cuidar do que já
> tem, de desenvolver perspectivas não antiquadas sobre como já se organiza.
>
>  Diante disso confio muito mais em organizações independentes, como o
> PLOS, que atua no mercado, encontrarem soluções para problemas e
> propagá-las, do que soluções "públicas". E o próprio PLOS já resolveu esse
> problema apontado por vocês, pois só cobram para publicar de quem tenha
> recursos para isso, quem solicita isenção justificada publica gratuitamente.
>
>  Todos os demais problemas, como os mencionados periódicos predatórios,
> só existem pelo absurdo que é o atual sistema de contagem de pontos,
> decorrente da incapacidade cognitiva da academia, e não vão melhorar com um
> ou outro modelo, pois eles existiam com a mesmíssima essência antes do
> acesso aberto, na forma dos bundles das grandes editoras, e continuarão
> existindo e até piorariam num sistema "público", com incontáveis
> publicações inúteis se acumulando por corporativismo acadêmico e sendo
> incorrigivelmente financiadas pela viúva.
>
>  Então muita calma antes de tacar pedra em conquistas que efetivamente
> melhoram a vida de centenas de milhares de pesquisadores, e bilhões de
> cidadãos, nos lugares mais frágeis do planeta.
>
> Vamos aproveitá-las e nos apoiar nelas para construir outras, não ficar
> comparando-as com irrealidades.
>
>  Abs,
> ale
> .~´
>
>
> 2014-09-23 18:35 GMT-03:00 Everton Zanella Alvarenga <
> everton.alvarenga em okfn.org>:
>
>>   Esses pontos levantados por Ewout, Viviane e Miguel tem em algum blog
>> em português?
>>
>>  Valeria muito posts de blog sobre o assunto. Inclusive sobre suas teses.
>> ;)
>>
>>  O Ewout está acostumado com blogs, mas se alguém precisar de ajuda,
>> estou copiando a Jamila que poderá dar uma mão para publicarmos no
>> cienciaaberta.net. :)
>>
>>  Tom
>>
>> Em 23 de setembro de 2014 18:21, Miguel Said Vieira <msv em dev.full.nom.br>
>> escreveu:
>>
>>> O modelo ouro também é o que viabiliza as chamadas "editoras
>>> predatórias", que fazem da publicação em acesso aberto um negócio em que o
>>> lucro é maximizado pela redução drástica dos padrões de qualidade exigidos
>>> na revisão por pares -- ou mesmo pela eliminação da revisão, na prática: se
>>> pagar, publica. (Como a Viviane, discuti isso na minha tese.)
>>>
>>> Embora obviamente nem toda editora trabalhando com o modelo ouro siga
>>> essa linha (é pouco provável que o acesso aberto em Nature e Science, por
>>> exemplo, adote padrões de qualidade inferiores), concordo com a avaliação
>>> de que é problemática a tendência em concentrar o acesso aberto nesse
>>> modelo, em que a publicação continua sendo uma prática bastante
>>> mercantilizada.
>>>
>>> Abraços,
>>> Miguel
>>>
>>>
>> --
>> Everton Zanella Alvarenga (also Tom)
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